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Meio Palmo Acima do Joelho

Meio Palmo Acima do Joelho

Tashaki Miyaki por Valfre

A banda Tashaki Miyaki é oriunda de Los Angeles e navega nas águas turvas e profundas da dream pop de pendor psicadélico. É uma das minhas preferidas e tem um novo disco intitulado The Dream, que aconselho vivamente a ouvirem, já que contém atmosfera densa e particularmente sensual e hipnótica. Saiu há poucos dias e é uma verdadeira pérola sonora.

Recentemente o grupo foi entrevistado pelo blogue de uma marca de trapinhos chamada Valfre e eu fiquei completamente apaixonada pela sessão e por alguns dos modelitos que a banda usou dessa etiqueta no evento, em especial o vestido de Lucy Miyaki, a vocalista. Ora vejam só...

Lisa Appleton rules!

A cantora canadiana Lisa Appleton, ex de Liam Gallagher, reside em Inglaterra e, no alto dos seus quarenta e oito anos, é uma das celebridades mais comentadas por lá e muito daquilo que ela faz, suspira, comenta, imita ou mostra diariamente acaba por ser notícia e motivo de exaltação para os tablóides locais.

O seu dia-a-dia é naturalmente calculado, mas desta vez acabou por ser apanhada em flagrante a sair, em plena luz do dia, de uma qualquer festa sadomasoquista onde se perdeu na noite anterior, tendo feito depois aquilo que qualquer uma de nós que frequenta assiduamente esse tipo de festas, faz sempre após atravessar a Exit Door... Aproveitar o resto do dia para as lides e rotinas normais da nossa insonsa existência e sem antes passar por casa para tomar um banhinho e colocar uma toilette mais consentânea com uma simples ida ao supermercado, ou à consulta naquele dentista giro de olhos azuis que nos fez disparar a conta desse tratamento médico para valores exorbitantes no último ano e meio.

Alguém acredita que este look vai-me inspirar amanhã na hora de me apessoar? Nunca se sabe.... É tudo uma questão de atitude!

Sim, houve uma celebridade que saiu desta forma à rua -

Hoje a minha melhor amiga faz anos.

Hoje a minha melhor amiga faz anos e, por isso, o dia vinte e sete de março não é para mim um dia qualquer ou igual a tantos outros que passam despreocupadamente pelo geralmente aborrecido calendário da minha vida, sem deixarem qualquer impressão ou marca que os torne menos indeléveis e distintos que os outros. E aquela que comemora hoje mais uma primavera, além de ser a minha melhor amiga é, também, a minha única verdadeira amiga, razão pela qual não posso deixar de homenageá-la publicamente neste dia tão especial.

Além de mãe e esposa dedicada, ela é uma profissional excelente, apesar de subvalorizada no seu ramo e tem um bom gosto extraordinário relativamente a muitas coisas com as quais me identifico particularmente, não só relacionadas com moda, mas também com futebol e culinária, ou arte e literatura, por exemplo. Ela moldou, pacientemente e ao longo de vários anos, aquelas que são algumas das minhas características essenciais e definiu, com paciência e arte, não só muito do meu estilo como grande parte da minha personalidade.

Ela é, claramente, o verdadeiro paradigma daquilo que deve ser, na minha opinião, uma mulher ativa, moderna e bem sucedida e continua a funcionar para mim como uma espécie de modelo, mesmo nas situações em que, por força das nossas diferenças, parecemos ter modos de pensar e de ser completamente opostos.

Parabéns, querida amiga! Que os anos continuem a passar por ti com essa ligeireza habitual e que sejam sempre contados com o sorriso no rosto que tão bem te carateriza. Que esse brilho no olhar que nunca te larga, mesmos nos instantes mais melancólicos e contemplativos, também nunca desvaneça. Que os teus anos futuros continuem a ser anos felizes e vividos em plenitude, páginas que vão-se fechando e abrindo como uma leve e delicada brisa que em vez de te desgastar, apenas molda e aperfeiçoa tudo aquilo que guardas dentro de ti e que faz de ti uma das pessoas mais bonitas à face da terra. 

Obrigada por tudo, minha melhor amiga!

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Night out with Mr. Dijsselbom.

Como orgulhosa mulher do sul da Europa que sou, não posso deixar de me sentir particularmente ofendida com as declarações proferidas recentemente por aquele senhor holandês de orelhas e carapinha encaracolada esquisita e que por acaso até é o presidente do Eurogrupo. Pelos vistos considera-nos a nós, mulheres, como uma espécie de mercadoria para todos aqueles nossos conterrâneos do sexo oposto, com os quais partilhamos este solarengo habitat mediterrânico e que tanta inveja deverá causar lá para aquela Holanda suportada a diques de betão e muita cerveja, já agora, a grande maioria dela fabricada artesanalmente para não pagar impostos. Basta ver o número de aviões que aterram nos nossos três aeroportos internacionais semanalmente, em especial o do sul, provenientes daquelas paragens, cheios de cenourinhas de olhos esbugalhados em busca do melhor vinho e da melhor teta e rabiosque que nasce, cresce e floresce nestas paragens. E nem sequer vou considerar que esse tal de Dijsselbom se referia a nós, senhoras com ar mediterrânico, como profissionais daquela que é considerada a mais velha profissão do mundo. Vou ingenuamente acreditar, com todas as minhas forças, que ele estava a dissertar sobre o modo como os nossos lindos e maravilhosos machos latinos se endividam continuamente para nos oferecer aqueles vestidos, carteirinhas, laboutins e perfumes que tanto adoramos e que depois, de braço dado com eles, desfilamos pelos inúmeros e encantadores restaurantes que existem neste jardim à beira-mar plantado e onde adoram levar-nos, nem que para isso tenham de ficar o resto da semana a comer panados e sandes de atum, ou a pedinchar a marmita à mãe.

Sendo assim e com o intuíto de demonstrar ao senhor Dijsselbom que ele está redondamente enganado e que tais hábitos regulares que ele citou, quer deste, quer de outros povos do sul da Europa, até contribuem enormemente para vigor económico e não só, de toda uma União Europeia (considero que a produtividade no trabalho tem uma relação direta com uma vida sexual activa e saudável por parte do trabalhador e que o álcool pode desempenhar aqui um papel desinibidor importantíssimo), estava a pensar em convidá-lo para sair e mostrar-lhe como tudo isto funciona e em que assenta esta minha teoria de que sexo e álcool são verdadeiros bálsamos económicos. O que vos parece?

Ora bem, para colocar o meu plano em marcha, encontrar forma de comunicar com ele não deve ser propriamente complicado, até porque se repararmos bem na figura, o mais certo é que esteja inscrito num ou vários dos inúmeros sites amorosos e de encontros que proliferam pela internet. Lá terei eu o trabalho de ter de criar um perfil com um conjunto de fotografias minhas todas catitas, de corpo inteiro, tiradas dos mais diversos ângulos e onde não falte um exemplar de biquini, outra imagem com um look mais casual e outra com um vestido ou conjunto mais clássico, até porque, sinceramente, não estou a vê-lo na esquina de um bar e muito menos de copo de whiskey na mão, a engatar uma colega da nossa equipa ou, de modo cavalheiro, a oferecer o seu lugar numa fila do bodegão ou da farmácia da esquina, apenas duas das formas mais eficazes que um homem tem de encontrar a mulher da sua vida (já agora, para quem não sabia estas três estratégias ou nunca tinha pensado nelas, fica a dica). Sim, porque se ele fizesse qualquer uma destas coisas e eu estivesse presente, certamente que ele morderia, mas sem ser no sentido literal, atenção, o isco.

A ideia será então uma noite com este senhor, de preferência bem comida (?) e regada e com direito a (quase) tudo, ou seja, um restaurante caro mas onde se coma bem, um cocktail de bebidas num sítio sossegado e onde a conversa possa fluir de modo escorreito sem grandes influências externas e depois uma estadia num dos melhores hóteis do país, com direito a spa, pequeno-almoço, limpeza facial, massagem e terapia de esquecimento, no dia seguinte. Com todas estas condições, acredito que no dia seguinte ele estará não só a rebater a afirmação que fez a um jornal alemão e que tanta controvérsia tem gerado, como também a defender exatamente o contrário. E eu, possivelmente, estarei a ser convidada para nova ministra das finanças da Holanda.

Gostaria apenas de ressalvar que, como é evidente e para que não haja equívocos, na hora da verdade e à boa maneira do que fazem os países do sul, no momento em que ele achasse que era o momento de lhe pagar com este corpinho que Deus me deu todas as benesses dessa noite que ele, feito Banco Central Europeu, me proporcionou, esquivar-me-ia com a desculpa de uma bela de uma enxaqueca, um jogo do Benfica em casa, ou então uma entorse repentina por causa do salto alto que revirou ao sentar-me ao seu lado na cama, isto se ele já não tivesse aterrado com toda a dose de álcool que emborcou sem ter percebido como, hipnotizado como estava com o maravilhoso decote que esteve a noite toda mesmo ali defronte daqueles olhinhos e com o par de pernas que permaneceu, nos vários locais onde estivemos, continuamente e de modo maroto mal cruzado. Cá para mim ele deve ser é muito danado para a brincadeira e anda a ver se despista alguém. Seja como for, eu acho que apostaria as minhas fichas num look deste género para essa saída, que vos parece?

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Ecos de um compromisso.

Dançando de passo apressado, ruborizada, desgovernada, inquieta, assustada, envergonhada e até sentida, passeio fora, numa avenida cheia de carros a apitar e de pessoas compenetradas com os seus dilemas existenciais, ao sabor de um vento que insiste em soprar com uma intensidade anormal para a época, cheguei finalmente ao ponto mais longínquo do local de partida e encostei-me áquele semáforo que teimosamente demorava, até com um certo ar de gozo, a dar-me prioridade de passagem, enquanto desconstruia na minha mente tudo aquilo que me tinha sucedido poucos minutos antes.

Era uma manhã normal de trabalho. O blazer impecavelmente pendurado no encosto do meu cadeirão aconchegava-me a leve brisa que uma janela entreaberta nas minhas costas deixava entrar para arejar um espaço humidificado por semanas inteiras de um inverno de rigores e enquanto alguns colegas riam baixinho, de telemóvel em riste, outros, com ar sério, desfolhavam vários dossiers, em busca daquela informação periclitante que os permitisse descer para o almoço com a sensação de dever cumprido. Pouco depois era informada da chegada do meu esperado segundo compromisso da manhã (o primeiro, de outro género completamente diferente e nada profissional, tinha sido ainda em casa, no meu leito, porque é nas madrugadas que o dia começa).

Descruzei as pernas, passei as mãos ao de leve para ajeitar a saia de pele preta, que terminava impecavelmente meio palmo acima do joelho, alinhei o cabelo com dois ou três dedos, firmei os calcanhares contra a palmilha do stilleto prateado e levantei-me com a minha habitual descontração, segurança e sobranceria, para me dirigir à porta do gabinete. Aí chegada, ofereci o meu melhor sorriso, sem falsas hipocrisias, verdadeiro e honesto, estendi o meu braço e ofereci a minha mão para um cumprimento formal, mas até algo caloroso, seguindo-se a já esperada mudança de direção rumo à minha secretaria onde, antes de me recostar, deixei o obrigatório convite, com outro sorriso, para que a cadeira defronte da minha, do outro lado do tampo da mesa, fosse devidamente ocupada.

A conversa demorou o tempo esperado, uma meia hora, com o maior profissionalismo possível, os assuntos tratados foram debatidos com interesse e tudo sucedeu de modo expedito, sem surpresas, com o sumo da reunião a corresponder e a superar até as expetativas iniciais de ambas as partes. No final, estando já ambos de pé, um novo cumprimento, o acompanhamento da praxe até à saída, com mais um sorriso e, no regresso, um desvio à casa de banho porque a bexiga desde a segunda metade da reunião tinha decidido, sem contemplações, dar sinais de si.

Em dois minutos a bexiga ficou aliviada e o serviço despachado na sanita branca forrada a renova de dupla folha. Levantei-me, ajeitei com um malandro abanar de ancas a cuequinha, a meia de vidro e a saia quando, de repente, ao verificar se a blusa estava bem esticada e alinhada, o universo parou de girar, os ponteiros dos relógios estagnaram e tudo parou em redor! O pânico apoderou-se de mim, fiquei a tremer descontroladamente, atónita e surpresa... Como é que foi possível que durante toda aquela reunião a minha blusa tenha estado com dois estratégicos e fulcrais botões indevidamente desabotoados?

Upssss... Ele está-me a ligar, quer reunir-se de novo comigo amanhã. Diz que considera haver alguns aspetos da proposta inicial e posteriormente aprovada que precisam de ser melhor escalpelizados e que prefere fazê-lo pessoalmente e o mais rápido possivel! Não precisava era de ser logo dois dias depois...

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Gosto de saias.

Gosto de saias, confesso. Talvez até goste ainda mais de vestidos do que de saias, mas se me puser agora aqui a falar de vestidos, enfim... isso já seria abusar demasiado da vossa paciência e expôr-me ao ridículo de dissertar sobre uma dimensão estratosférica das coisas de que materialmente mais gosto. Falar de vestidos até se torna, às vezes, na proporção exata, algo obsessivo, confesso. Entusiasma-me de tal modo que pode, nos momentos de maior furor, fazer-me perder um pouco a razão e a noção do razoável. Mas voltando às saias, digo e repito: Gosto de saias. E gosto tanto que não percebo como há mulheres que não gostam... E não me venham com a desculpa da anca demasiado larga, ou do glúteo mal definido, da coxa bastante grossa ou da perna curta com que a mãe natureza presenteou. Nesta vida, só não há remédio para aquilo que nós sabemos...

Ao contrário do que acontece com a esmagadora maioria das mulheres, eu tenho uma dificuldade enorme de, no dia-a-dia, vestir um par de calças. E até gosto muito de jeans, por exemplo, e às vezes apetecia-me usá-los mais, principalmente os dois pares push-up que estão pendurados no meu closet, admito. E esse é um dos meus maiores pontos fracos, no que à minha apresentação diz respeito, também por causa da profissão que me obriga a algum rigor na escolha diária do meu look. Mas há outro aspeto da minha existência que justifica este gosto.

Gosto de saias, confesso. E nesse tal aspeto há dois factores que influenciam decisivamente esta constatação, óbvia para aqueles que melhor me conhecem, porque já sabem muito bem o que a casa gasta. Refiro-me, por um lado, à educação algo puritana que recebi, de uma mãe ainda mais feminina que eu, que me mostrou duas realidades distintas. De uma delas eu fugi a sete pés e procuro fazer sempre o oposto, até porque sei que se ela fosse tão livre no seu tempo como eu sou no meu, seria como eu. Refiro-me a um exacerbado conservadorismo e uma rigidez de regras e comportamentos familiares e sociais que defendiam, por exemplo, que uma senhora não pode, em circunstância alguma, distanciar-se daquilo que seriam, na gíria comum, as atitudes certas de uma mulher. A outra coisa que aprendi com a minha mãe, e essa eu procuro imitar ao máximo, quer na filosofia quer no modus operandi, foi a noção de feminilidade, geralmente levada por ela quase até ao extremo. E acaba por ser neste traço do caráter dela de que eu me apropriei com um certo deleite e com unhas e dentes, que entra este meu gosto por saias.

Hoje escolhi esta... Chegou a ser dela, da minha mãe. Foi restaurada depois de ter sido descoberta num baú da garagem juntamente com outras preciosidades e tecidos que ainda aguardam destino... E restaurei-a cuidadosamente e com amor, de certeza com o mesmo amor com que um rapaz se responsabiliza por aquele carro ou aquela motorizada antiga que foi do pai e que ele também quer um dia conduzir para o homenagear e porque ele era para si um modelo. As saias e os vestidos são os veículos que eu tenho para conduzir que a minha mãe me deixou... E sou feliz por poder dar vida a alguns!

Look Moda Cristã:

 

O body da Inês

Ainda na sequência da última publicação deste blogue e depois de ter visto o maravilhoso body transparente preto que a Inês Castelo Branco usou no episódio de ontem de Amor Maior, senti-me inspirada a criar um look que tivesse como ponto de partida uma peça algo semelhante, de modo a criar um conjunto mais ao meu gosto, em vez do tailleur calça / casaco que ela usava e que não apreciei particularmente. Eis o resultado...

Já agora, viram o body? O que acharam?

E já agora, se tens curiosidade em conhecer os meandros de uma família realmente bonita e feliz, o blogue A nossa vida!!! é o espaço ideal... Passa por lá! ;)

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